Saudada por oposição e situação, empresa tem conflitos com comunidades do Maranhão

Dayana Coelho, da Sociedade Maranhense de Direitos Humanos: "A resposta que a gente deve dar, enquanto sociedade civil, é que as mudanças pretendidas não sejam apenas para os poderosos..."

Esta semana a Suzano Papel e Celulose anunciou investimentos da ordem de quase meio bilhão de reais no Maranhão. O fato foi saudado por governistas e pelo jornal da família Sarney (em primeira página). Novamente, fecham-se os olhos para os abusos cometidos em nome do desenvolvimento e da geração de empregos (em sua maioria terceirizados e precários, quando muito).

Aos cem dias de Governo Dino, a Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH) já alertava para o movimento que este governo dava em direção de expandir negócios das empresas com histórico de violação de direitos, como a Suzano e a Eneva. A ampliação das ações da Suzano no estado, comemorada por setores governistas e oposicionistas, agora, confirma isso.

Ao analisar o período de cem dias do novo governo, a SMDH, parceira da luta para que o Plano Diretor da cidade não seja alterado para atender interesses meramente industriais e de construtoras, chama atenção justamente ao fato de se incentivar a ampliação de negócios nocivos e que geram conflitos socioambientais. E mais: vai-se criando uma "ambiência legal" para que essas violações de direito não sejam apenas aceitas, mas passem a ser legalizadas, legitimadas juridicamente. Isso foi dito às comunidades da zona rural em setembro, durante uma das reuniões sobre as ameaças ao Plano Diretor e à lei de Zoneamento (e, por conseguinte, à população).

Dayana Coelho, advogada da SMDH, chamou atenção para que a sociedade responda a esses processos, intervindo para não ser deixada de fora das discussões e prejudicada pelas decisões tomadas nos gabinetes, entre autoridades e empresários. "A resposta que a gente deve dar enquanto sociedade civil organizada é que as mudanças não sejam apenas para os poderosos, mas que tenhamos todos nossos direitos e nossa qualidade de vida respeitada", alertou.

Uma das formas de intervir é justamente informando-se sobre os planos que se tem para a cidade. Na perspectiva das autoridades e dos empresários, como apontados por vários cidadãos durante as reuniões que vêm ocorrendo, a população é vista como mero empecilho que precisa ser retirado para que eles passem com seus projetos. Mas a população não aceita mais ser tratada dessa maneira, e vem se organizando para que projetos que a prejudiquem não prosperem, enfrente-se quem tenha de ser enfrentado.