Verador sai em defesa de grandes projetos contra a discussão do Plano Diretor

Nesta terça-feira, dia 3 de maio, o vereador Roberto Rocha Júnior subiu à tribuna da Câmara de São Luís para falar sobre o Plano Diretor e a Lei de Zoneamento, Uso e Ocupação do Solo Urbano.

Na verdade, pelo que ficou explícito por sua própria fala, a atuação do filho do senador Roberto Rocha faz parte do conjunto de investidas por parte do empresariado local (que defende interesses estrangeiros ao Maranhão, além dos seus próprios ganhos) para aprovar, a todo o custo e sem discussão, uma proposta de Plano Diretor gestada pela Federação das Indústrias do Maranhão que não discute a cidade e a melhora da qualidade de vida na capital maranhense, mas apenas formas de potencializar seus lucros às custas do meio ambiente da Ilha do Maranhão e da população, sobretudo a mais carente.

Além da fala de Roberto Rocha Júnior, recentemente o Sindicato das Indústrias da Construção Civil entrou com ação para a retomada e validação do processo de audiências públicas, já consideradas irregulares pelo Ministério Público (veja aqui). Essa atitude derruba por terra a farsa de preocupação com a cidade, declarada pelos representantes dos empresários durante as audiências sem representatividade e repetida no início desta semana pelo vereador, que deveria, em vez disso, defender o aprofundamento das discussões, e não o atropelamento do debate: defender a retomada do processo da forma que está atende apenas a um conjunto de interesses, que claramente não é o da população. A proposta da Fiema/Prefeitura conta com a diminuição drástica da zona rural (que pode acarretar vários deslocamentos compulsórios da população para as periferias sem estrutura) e com o aumento do número de andares dos prédios a serem construídos na cidade, notadamente nas áreas mais caras e que deveriam ser protegidas (como a orla), sem discutir os impactos dessas alterações na vida da cidade, como transporte e saneamento, por exemplo. O requerimento através do qual o vereador pede que a Prefeitura dê urgência a esse processo, sem levar a necessidade de discutir amplamente com todos os setores da cidade, vai ao encontro desses interesses.

MANTER A VIGILÂNCIA CONTRA ATAQUES À CIDADE

Para não permitir que apenas os que se julgam donos da cidade continuem dando as cartas nesse processo, o Movimento de Defesa da Ilha convida toda a população a se juntar às discussões que vêm sendo tratadas sobre as alterações, à luz do Estatuto das Cidades, que vem sendo estudado pelos integrantes do Movimento nas manhãs de sábado, às 10h, geralmente na Sede do Sindicato dos Bancários, situada à Rua do Sol, Centro de São Luís.

O próprio vereador está convidado para apresentar as bases do pedido de urgência que propõe, e que, se atendidas, validariam um processo que exclui a população do debate. Isso não será aceito por quem está disposto a lutar para que São Luís não deixe  de ser, como já vem acontecendo, uma cidade acolhedora para ser transformar num local onde poucos sugam seus lucros às custas do sofrimento de muitos.

As confirmações das reuniões de estudo do Plano Diretor são geralmente feitas via página do Movimento de Defesa da Ilha no facebook: curta e acompanhe. A deste sábado já está agendada.